Por Robson Mendes – presidente do Instituto Nata
Cuidar de um idoso no Brasil exige um planejamento financeiro muito maior do que a maioria imagina. O susto raramente acontece de uma só vez; os gastos se assemelham a uma goteira que pinga cada vez mais forte até que, quando nos damos conta, já está tudo totalmente alagado. Com mais de 32 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais, essa já é uma das pautas mais urgentes do nosso país.
A realidade da baixa renda e os desafios legais:
Para as famílias de menor renda, essa “goteira” financeira se transforma rapidamente em uma verdadeira cachoeira de problemas. Muitas vezes, falta o básico: alimentação adequada, remédios, orientação e apoio comunitário. Conseguir suporte do governo nesse cenário é um processo complexo e desgastante.
O Estatuto da Pessoa Idosa, que deveria ser de aplicação rigorosa, frequentemente funciona apenas como uma diretriz genérica. A lei muitas vezes parte do princípio de que o idoso é um cidadão plenamente capaz de se defender sozinho, o que nem sempre corresponde à realidade. É preciso considerar que um idoso em situação de vulnerabilidade ou violência sente medo — e quem tem medo não age. Esse fator, por si só, representa uma barreira invisível para a garantia de direitos. O resultado prático é perverso: quem tem mais condições paga pela assistência, enquanto os mais vulneráveis ficam à margem.
Custos Operacionais e Estruturais para a Classe Média:
Quando as famílias de classe média precisam buscar apoio, os desafios financeiros e estruturais se multiplicam — e, não raramente, o cuidado se torna um mercado altamente lucrativo para empresas que enxergam o idoso apenas como um cifrão.
– A Contratação de Cuidadores
- Plantões e Horas Avulsas: Valores médios entre R$ 18 e R$ 35 por hora; de R$ 220 a R$ 400 por plantão de 12 horas; e de R$ 450 a R$ 750 por 24 horas.
- Regime CLT (Assistência Diária): O salário base costuma girar entre R$ 1.726 e R$ 2.873. Profissionais com curso técnico em enfermagem ou gerontologia ultrapassam facilmente a faixa de R$ 3.000 a R$ 4.400.
- Encargos Anuais (13º, férias, FGTS e adicionais): Somam cerca de R$ 36.700 em São Paulo, R$ 40.400 em Belo Horizonte, e entre R$ 39.000 e R$ 40.000 em Manaus e Porto Alegre, podendo superar R$ 61.000 para perfis altamente especializados.
– Infraestrutura Residencial e Saúde
O profissional de apoio é apenas o começo. A adaptação da casa exige investimentos imediatos: instalação de barras de apoio, aquisição de cama hospitalar e cadeira de banho, construção de rampas, remoção de tapetes e alargamento de portas. A isso soma-se a conta fixa de farmácia e fraldas, que cresce de forma contínua com o passar do tempo.
Quando o Cuidado Domiciliar se Torna Inviável: As ILPIs
Quando o suporte em casa já não é suficiente, surge a alternativa das Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs), as casas de repouso. Na rede particular, os custos mensais variam consideravelmente conforme o nível de atendimento:
- De R$ 2.000 a R$ 4.000: Inclui acomodação, alimentação e cuidados essenciais.
- De R$ 4.000 a R$ 8.000: Conta com equipe multidisciplinar e atividades de recreação.
- Acima de R$ 8.000: Oferece estrutura premium, com médico 24 horas, quarto individual e fisioterapia diária.
- ATENÇÃO: Podem ocorrer custos adicionais caso o residente precise de enfermagem exclusiva ou apresente quadros avançados de dependência, como o Alzheimer.
O Papel dos Municípios e as Políticas Públicas:
É fundamental compreender que os municípios possuem o dever legal de atuar na proteção à pessoa idosa. No âmbito das políticas públicas brasileiras, a gestão municipal dispõe de caminhos claros para viabilizar esse atendimento:
- Oferta Direta ou Indireta via SUAS: As ILPIs públicas integram o Sistema Único de Assistência Social (Serviço de Acolhimento Institucional, Conforme Resolução CNAS nº 109/2009). Isso ocorre por Execução Direta (a prefeitura mantém a unidade com recursos e servidores próprios) ou Execução Indireta (parcerias e termos de fomento com Organizações da Sociedade Civil — OSCs sem fins lucrativos, sob rigoroso monitoramento).
- Marco Legal: O Estatuto da Pessoa Idosa e a responsabilidade compartilhada determinam que a ponta da execução dos serviços de alta complexidade recai sobre os municípios, com o cofinanciamento de Estados e da União.
- Padrões de Funcionamento: Unidades públicas ou privadas devem seguir estritamente as diretrizes sanitárias da Anvisa (RDC nº 502/2021) e garantir equipes multiprofissionais, cardápios adequados e a preservação da autonomia do idoso.
Planejamento, Sociedade e o Caminho a Seguir:
O que realmente salva no fim das contas não é apenas o dinheiro, mas a conversa antecipada. A chamada “geração sanduíche” — que cuida dos filhos e dos pais ao mesmo tempo — sofre mais justamente quando deixa para tomar decisões em momentos de crise.
Governos, instituições e a sociedade civil precisam se movimentar para promover debates, mapear perfis e entender onde estão os idosos e quais são as suas reais necessidades. É importante ressaltar que muitos idosos mantêm uma vida plenamente ativa, sendo provedores de suas famílias e capazes, inclusive, de cuidar de outros.
O cenário é complexo, mas profundamente animador: existem caminhos viáveis para transformar essa realidade.
Um chamado à ação:
Você está pensando em seus pais agora, está pensando em alguma pessoa idosa? Ao me encontrar por aí, me conte qual é a sua realidade. Se você está com um idoso em casa sem saber o que fazer, se ele recebe ou não algum benefício, ou se você conhece os recursos que o seu município oferece.
Seja para começar a planejar o cuidado em domicílio ou para avaliar outras possibilidades, eu e minha equipe estamos aqui para ajudar a montar uma estratégia adequada à sua realidade e garantir os direitos dessa parcela tão importante da nossa população, que hoje ultrapassa 32 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais.
Entre em contato direto comigo, terei maior prazer em tentar ajudar.