Instituto Nata realiza ação de combate ao abuso e exploração infantil

21 de maio de 2024 | Eventos
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Há 24 anos foi constituído no Brasil o dia nacional do combate à exploração e abuso infanto-juvenil devido ao crime da Araceli, de 9 anos, que foi morta e violentada em 1973.
Instituto Nata realiza ação de combate ao abuso e exploração infantil

Evento ocorreu no último dia 18, na Vila Emil 

Por Daniela Mendes e Maria Mariana Braga

Há 24 anos foi constituído no Brasil o dia nacional do combate à exploração e abuso infanto-juvenil devido ao crime da Araceli, de 9 anos, que foi morta e violentada em 1973. A partir do ano de 2000, o dia 18 de maio se tornou o dia oficial a favor da luta contra os crimes cometidos contra crianças e adolescentes do país. O Instituto NATA realizou, no último sábado, uma ação de conscientização, que reuniu adultos e crianças em Mesquita, na Baixada Fluminense. A advogada Kamila Pires, de 36 anos, se surpreendeu com a ação e falou um pouco sobre a importância do evento para o entorno dos municípios. “Esse assunto me preocupa bastante, ainda mais agora que estou grávida. Achei incrível e importante – a realização do evento – porque aqui não temos isso. Acho que vai ser de grande valia esse Instituto.”

O contador Márcio Magalhães, de 46 anos, levou o filho para caminhar e acabou participando ativamente. Não só colocou o pin da luta no peito, como também comentou sobre o quanto a ação impactou seu final de semana. “Eu não esperava encontrar um evento desse. Para mim e para o meu filho foi ótimo. Ele está adorando”. Enquanto Márcio dava seu depoimento, seu filho brincava na mesa de desenho, fazia pinturas no rosto e comia algodão doce e pipoca. “A estrutura que vocês organizaram aqui com a atenção para as crianças com a pintura de rosto, desenho, pipoca… eu acho que foi essencial.”

Para a assistente social Cláudia Praxedes, de 44 anos, o evento foi importante para aprender a cuidar das nossas crianças, que muitas vezes encontram em suas próprias casas e famílias o seu algoz. “Temos que ter o olhar bem criterioso para isso. Nós temos que sensibilizar essas pessoas para estarem observando tudo que uma criança possa mostrar que está acontecendo no seio familiar.” Ela também relembra da importância da conscientização da comunidade e da rede de apoio de uma mãe estar atenta a todo e qualquer sinal. Além de, claro, evidenciar que o primordial é que as crianças tenham uma infância digna.

O presidente do Conselho Tutelar de Mesquita, Luiz Carlos Pereira Lobato, também marcou presença no evento e destacou a importância da denúncia e de observar os sinais que a criança está dando. “Quando uma criança deixa de sorrir, seu direito está sendo violado. Então, a gente precisa prestar atenção e procurar o melhor entendimento para que nossas crianças não tenham o direito violado. Essa causa não é só do Conselho, precisa da ajuda de todos.”

O plantão do Conselho Tutelar é de segunda a segunda, 24 horas por dia e atende no número: (21) 98598 – 1015

A advogada criminalista Amanda Magalhães afirma que, para denunciar um abuso, a primeira coisa que deve ser feita é nunca tentar induzir ou questionar a criança para ela não se fechar ou sentir medo e vergonha. “Ao menor sinal de algum tipo de abuso ou de alguma violência física e psicológica, alteração comportamental, a pessoa – seja da família ou da escola – precisa denunciar, porque a omissão também é crime.” Essa suspeita de crime precisa ser levada às autoridades através de uma denúncia, que pode ser anônima ou não. O ideal, segundo Amanda – que também é vice-presidente do Conselho Penitenciário do Estado do Rio de Janeiro – é fazer essa denúncia em uma delegacia especializada, mas pode ser feita em qualquer unidade policial e pode recorrer, também, ao Conselho Tutelar.

“Tem promotorias com atribuições específicas de proteção à criança e ao adolescente e é um espaço seguro e importante para esse contato. É super necessário que se fale e cuide dessa criança e desse adolescente, que não considere que é mentira, que está brincando, porque é um dano e, muitas vezes, irreversível.”

A advogada conta, também, que muitas delegacias possuem um projeto chamado Bem Me Quer, que conta com policiais especializados que atendem mulheres e crianças. Eles abordam a situação da forma mais segura possível e, seguindo as orientações das autoridades, levam o menor ao hospital, possibilitam tratamento psicológico e seguem todo o trâmite da denúncia.

O presidente do Instituto, Robson Mendes, ficou muito feliz com o resultado do projeto e compartilhou um pouco sobre o sentimento de realização após a ação. “A gente decidiu não se calar diante do que vem acontecendo com nossas crianças e resolveu fazer o evento. Convidamos alguns parceiros para estarem presentes. Um doou o material gráfico, outro camisas, tenda, backdrop… juntamos voluntários! E deu esse resultado que foi super positivo. Eu fiquei muito grato porque tenho certeza que algumas coisas que poderiam acontecer na vida de uma criança não vão mais. Eu acho que a gente tem que propagar cada vez mais a questão dos direitos, o acesso à informação e ao que é lei. Acho que o caminho é fazer nossa parte, propagar a informação e mostrar que essa parte da população não está sozinha e que tem gente lutando por ela. O Instituto está aí para fazer esse papel.”

Se você é vítima de abuso ou conhece alguém que seja, Disque 100!

 

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